DEFESA DA FE.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ordenando aos Hereges

Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé. (1 Timóteo 1:3-4)

Um dos principais deveres de um ministro cristão é combater falsas doutrinas. Paulo provavelmente tinha algo definido em mente quando escreveu a Timóteo. É possível que a igreja estivesse sendo ameaçada com um precursor do gnosticismo, ou de alguma forma de misticismo judaico, ou uma mistura dos dois. O contexto histórico exato não é essencial para o entendimento e aplicação dessa passagem, visto que Paulo primeiro declara um princípio amplo, que Timóteo deve por um fim a homens que ensinam “falsas doutrinas”. Ele não pretende dizer que essas falsas doutrinas particulares deveriam ser detidas, mas todas as outras são permitidas. Todas as falsas doutrinas devem ser detidas.

Um ministro cristão que esteja indisposto ou que seja incapaz de fazer isso é um devedor, e introduz uma vulnerabilidade à sua igreja. Ele poderia estar indisposto de se opor a falsas doutrinas por não considerar que doutrinas sejam algo essencial. Mas elas são essenciais, visto que fornecem definição e orientação com respeito a cada aspecto da fé cristã. Não existe nenhuma fé cristã, e dessa forma nenhum conhecimento de Deus e de Cristo, nenhuma salvação, nenhuma justificação e santificação, nenhuma adoração a Deus, nenhuma comunhão com os santos, e nenhuma esperança de vida eterna, sem as doutrinas cristãs. Sem doutrinas, não há nada. Então, um ministro poderia ser incapaz de se opor às falsas doutrinas porque teme confrontar os heréticos, ou porque careça de conhecimento e inteligência para refutá-los. Seja qual for a razão, essa é uma séria deficiência num ministro, e desse ser tratada com extrema urgência.

Não devemos permitir que o mundo nos ensine como lidar com os falsos mestres. Alguns ministros têm maior respeito pelos padrões não cristãos de cortesia acadêmica do que pelo Senhor Jesus Cristo. E se eles querem parecer intelectuais e respeitáveis diante do mundo, e polidos de acordo com o padrão do mundo, então não prestam para serem pregadores do evangelho. Paulo não diz a Timóteo que dialogue com os falsos mestres, ou aprenda a perspectiva deles, mas que ordene-os a parar.

Algumas pessoas pensam que a melhor forma de lidar com falsas doutrinas é debatê-las num fórum público, de forma que os cristãos possam ouvir os dois lados e decidirem por si próprios. Novamente, essa visão procede do mundo, e impõe democracia e liberdade de expressão na política da igreja. A Igreja do Deus Vivo não é uma democracia. Jesus Cristo é Rei – sua opinião é verdade, e seu mandamento é lei. Ninguém tem o direito de se opor a ele ou expressar visões alternativas. Sem dúvida, seus ministros podem debater falsas doutrinas, mostrando de que formas esses ensinos são errôneos, mas eles não podem fazer isso interminavelmente, e eles devem falar com autoridade, ordenando que os falsos mestres cessem com as suas heresias.

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto

Desmascarando a Teologia da Prosperidade

Desmascarando a Teologia da Prosperidad

I - INTRODUÇÃO


“Buscai primeiro o reino de deus e a sua justiça” (Mt 6.33). Aqueles que seguem a Cristo são conclamados a buscar acima de tudo o mais, o reino de Deus e a sua justiça. O verbo buscar subentende estar continuamente ocupado na busca de alguma coisa, ou fazendo um esforço vigoroso e diligente para obter algo (cf. 13.45). Cristo menciona dois objetos da nossa busca: (1) O Reino de Deus devemos buscar diligentemente a demonstração da soberania e do poder de Deus em nossa vida e em nossas reuniões. Devemos orar para que o reino de Deus se manifeste no grandioso poder do Espírito Santo para salvar pecadores, para destruir a influência demoníaca, para curar os enfermos e para engrandecer o nome do Senhor Jesus. (2) Sua justiça com a ajuda do Espírito Santo, devemos procurar obedecer aos mandamentos de Cristo, ter a sua justiça, permanecer separados do mundo e demonstrar o seu amor para com todos (cf. Fp 2.12,13).


II – DEFINIÇÃO: “EVANGELHO DA PROSPERIDADE”


Heresia segundo a qual o crente "deve ser rico", “sempre ter saúde”, senão não está abençoado.. Dizem que por ser filho de Deus, temos o "direito" de termos o que quisermos!


III - OS AMIGOS DE JÓ


É a partir do Cap. 2.11-13 que entram em cena os “amigos de Jó”: Elifaz, Bildade e Zofar. Estes, após verem a sua situação deplorável, passado um momento de comoção e pesar e vendo o estado de Jó piorar, começaram a procurar uma justificativa para o que estava acontecendo. Estavam agora, agindo pela razão. Não está errado o cristão procurar saber de Deus o porquê das coisas, desde que não esqueça de reconhecer sua soberania, onisciência, justiça, amor, etc, pois somos muito limitados para entender as coisas de Deus. O Apóstolo Paulo em Ef 3.10 fala da multiforme sabedoria de Deus, o qual tem muitas maneiras de realizar os seus planos em nossas vidas. Formas que geralmente não entendemos, assim como Jó e seus amigos não entenderam.


Todavia, Elifaz, procura como um filósofo a causa de Jó estar passando por tantos infortúnios, tendo por base suas próprias experiências (Jó 4.7,8). Em suma ele conclui que Jó precisava submeter-se a Deus para que fosse abençoado, caso se arrepen-desse (Jó 5.17,27). No final do relato de Elifaz, depois de todo aquele sentimento demonstrado anteriormente, transforma-se em acusações contra Jó (6.14,29).


IV - A DOUTRINA DE BILDADE


Bildade justificava as tragédias ocorridas com seu amigo Jó, acusando-o de haver falhado em sua obediência a Deus e queria provar que Deus só abençoa aqueles que lhe são fiéis e amaldiçoa aqueles que falham. A fim de fundamentar a sua doutrina, evoca Bildade o testemunho dos antigos: “Porque, eu te peço, pergunta agora às gerações passadas e prepara-te para a inquirição de seus pais. Porque nós somos de ontem e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra” (Jó 8.8,9).


V - A FALÁCIA DE BILDADE


A doutrina de Bildade é recheada de verdades e mentiras misturadas de modo a enganar aos incautos e faltos de sabedoria. Assim são as modernas músicas "evangélicas" com letras bíblicas e mundanas e sons santos e profanos; e Pregações shows, que trazem ocultamente a maligna Teologia da Prosperidade que tem feito ricos pobres da´presença de Deus e dos pobres, ricos sem Deus. (Ler 1 Tm 6.10).


VI - A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


Há até pelo menos duas décadas, a pregação evangélica, principalmente pentecostal, enfatizava que os cristãos não deveriam se apegar às riquezas materiais, aos interesses terrenos e que os problemas da vida, como enfermidades, perseguições, falta de dinheiro, eram provações divinas.


A afirmação que melhor resume a Teologia da Prosperidade é a que o cristão deve ser próspero financeiramente e viver sempre livre de qualquer enfermidade. Quando isto não acontece, é porque ele deve estar vivendo em pecado, não tem fé ou está vivendo sob o domínio do diabo.


Os principais pregadores da Teologia da Prosperidade no Brasil são: R.R. Soares (Igreja Internacional da Graça de Deus), Edir Macedo (Igreja Universal do Reino de Deus), Jorge Linhares (Igreja Batista do Getsêmani), Rinaldo de Oliveira (possui ministério próprio), Robson Rodovalho (Comunidade Sara Nossa Terra), Valnice Milhomens (Ministério Palavra da Fé).


Estes pregadores têm ensinado que todos os cristãos devem ser ricos financeira-mente, ter o melhor salário, a melhor casa, o melhor carro, uma saúde de ferro, e afirmando que toda enfermidade vem do diabo. E que se o cristão não vive essa vida pregada por eles, é falta de fé ou que há pecado em sua vida.


A soberania de Deus é a doutrina que afirma que Deus é supremo, tanto em governo quanto em autoridade sobre todas as coisas. Entretanto, nos círculos da Confissão Positiva, ela não é levada muito a sério. Verbos como exigir, decretar, determinar, reivindicar, muitas vezes substituem os verbos pedir, rogar, suplicar, clamar, etc.


VII - AS CONTRADIÇÕES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


A Teologia da Prosperidade é representada basicamente por 4 pilares. Consulte todas as referências citadas abaixo.

* A Teologia da Prosperidade declara que Deus não diz “não” às orações de seus filhos.” (Ler Dt 3.23-29; 2 Sm 12.15-23; 2 Co 12.7-9);
* A Teologia da Prosperidade diz que devemos orar apenas uma vez por alguma coisa. A oração repetida significa falta de fé. (Ler Mt 26.44; 2 Co 12.8; Gn 25,21; Lc 1.13);
* A Teologia da Prosperidade ensina que sofrimento e significa falta de fé. (Ler 2 Co 4.8,9; 11.23-29);
* A Teologia da Prosperidade ensina que sofrer alguma doença significa estar em pecado ou falta de fé (Ler Gn 48.1; 2 Rs 13.14; 2 Rs 20.1; Is 38.1; Dn 8.27; Jo 11.1; Gl 4.13-15; 2 Tm 4.20; Fl 2.25-27);
* A Teologia da Prosperidade afirma que pobreza não combina com nossa posição de filhos do Rei. (2 Co 8.9; Tg 5.1,6; 2 Tm 6.9,10,17-19).


Refutações para estes falsos ensinos:

* A prosperidade material. Vemos na Bíblia que em local algum o Senhor garante riquezas aos seus servos, exectuando-se as riquezas celestiais. A prosperidade material está à mercê do esforço humano. Para isto serve o ditado: “Quem planta mais, colhe mais”.
* As provações dos justos. Sabemos que muitos servos de Deus passaram por pobreza e até pobreza extrema como é o caso de José, Elias, Amós e Lázaro e até os apóstolos; então, como não podemos colocar à prova a fé dos mesmos, concluímos que também os crentes fiéis passam por situações difíceis.
* A doença nos justos: Sabemos que há várias razões para que alguém seja acometido por doenças. A Bíblia relata 3 razões principais para as enfermidades: 1) pelo homem ainda possuir a natureza humana (Gn 48.1; Dn 8.27; 2 Tm 4.20); 2) por provação (Jó 21-7) e 3) por consequência do pecado (Jo 5.1-14).
* A evidência de uma vida piedosa. Creio que Deus tem um plano para cada um de nós desde que nos submetamos a Ele. Assim Deus chama uns para serem pobres e na sua pobreza fazer uma grande obra para Ele; enquanto também chama pessoas de classe média e alta para O servir. Também vemos que o Senhor chama ricos e os faz pobres, como chama pobres e os faz ricos, tudo está em Seus planos e o que temos que fazer é nos submeter aos mesmos sem murmuração.


Paulo talvez fosse rico antes, mas depois que teve contato com Cristo viveu sem riquezas. Leia Fp 4:11-12 e I Co 4.11-14. Após ter feito esta leitura, responda a seguinte pergunta: “Paulo era um homem sem fé? Fraco? Débil?”


VIII - A JUSTA PORÇÃO DE AGUR


A Teologia da Prosperidade é diabolicamente perversa e mentirosa, porque induz os filhos de Deus a buscar a riqueza, por concluírem ser esta tão importante quanto a salvação.

* A teologia da miséria. Existe a "teologia da miséria" pregada por algumas religiões, que visa a salvação através do sofrimento, o que não está correto pois sendo assim, todos os pobres miseráveis e sofredores seriam salvos sem o sacrifício vicário de Cristo. Jó não era justificado nem pela sua riqueza de antes e nem pela sua pobreza de agora e sim pela sua fé num redentor que esperava ele, vir em sua ajuda. (Ler Ef 2.8).
* A porção de Agur. “Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada; para que, porventura, de farto te não negue e diga: Quem é o Senhor? Ou que, empobrecendo, venha a furtar e lance mão do nome de Deus” (Pv 30.7-9). Veja o que o Espírito Santo nos ensina sobre o desejo de se tornar rico, usando o apóstolo Paulo: 1 Tm 6.9: “Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição”.


IX - EXEMPLOS E VERSÍCULOS BÍBLICOS QUE COMBATEM CONTRA A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

* Salomão não pediu riquezas... 1 Rs 3.9
* O mendigo Lázaro era salvo, porém... Lc 16.20-23
* Paulo viveu em constante pobreza: Fp 4.11
* Porque Jesus pediu ao rico para desfazer-se dos bens? Lc 18.22
* Os que querem ficar ricos caem em tentações: 1 Tm 6.9
* Não podemos servir a Deus e as riquezas: Lc 16.13
* Igreja Apostólica não tinha membros que se diferenciassem entre si nas posses: At 2.44-45
* A oração que não é atendida: para gastar no luxo: Tg 4.3
* Na oração do Pai Nosso não há indicação de pedirmos além do necessário ("de cada dia..." Mt 6.11)
* A colheita de cem por um é de natureza espiritual! Mt 13.23
* A Bíblia exorta a procurar os melhores dons (1 Co 12.31), a buscar a Deus e Seu Reino (Is 55.6, Mt 6.33), etc. Não há passagem recomendando o acúmulo de bens (veja Pv 30.8-9, Sl 62.10, 1 Tm 6.8)
* O servo de Eliseu pegou lepra pela cobiça... 2 Rs 5.20-27
* Cobiça como pecado: Lc 12.15-21, 1 Jo 2.16
* "Não amar as coisas do mundo", significa não desejá-las!1 Jo .15
* "Não ajunteis tesouro na terra..." Mt 6.19
* A fascinação da riqueza sufoca o crescimento espiritual Mc 4.19
* O amor ás riquezas, raiz dos males 1 Tm 6.10
* Transitoriedade e vaidade (Pv 23.5, Ec 2.18, 5.10)
* Pobres no mundo, mas ricos para Deus (Tg 2.5)
* Prosperidade como resultado da obediência, e não dos "direitos": Dt 7.12-13, 11.13-15, etc.
* A cobiça levou o povo de Israel a desobedecer e ser derrotado: Js 7.1-26
* Jó, um justo, passou por um período de pobreza total: Jó 1.9-12
* "Ganhar o mundo inteiro" ou "perder sua alma"? (Mc 8.36). Veja também Lc 12.34
* Qual o objetivo do evangelho? Prosperidade ou salvação? Veja Jo 20.


X - CONCLUSÃO


A verdadeira prosperidade é ter Cristo no coração. Ele é o nosso supremo bem. A verdadeira prosperidade é ser canal de Deus para abençoar os outros, isso implica em ser abençoado também, pois quem planta sempre colhe e quem planta boas sementes em bons terrenos, sempre colhe bons frutos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Soli Deo Gloria: Nossa Única Ambição

Soli Deo Gloria: Nossa Única Ambição







O mundo está cheio de pessoas ambiciosas. Mas Paulo disse: "Tem sido minha ambição, deste modo, pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado" (Romanos 15:20). Uma vez que Deus falou de forma tão clara e salvou de forma tão definitiva, o crente é livre para adorar, servir e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre, começando agora. Qual é a ambição do movimento evangélico? Agradar a Deus ou agradar a homens?

A nossa felicidade e alegria se encontra em Deus ou em alguém ou algo mais? O nosso culto é entretenimento ou adoração? A meta da nossa vida é a glória de Deus ou a nossa auto-realização? Vemos a graça de Deus como a única base para a nossa salvação, ou ainda estamos buscando alguma parte do crédito para nós mesmos? Estas questões revelam uma flagrante centralização no homem nas igrejas evangélicas e no testemunho geral dos nossos dias.

Robert Schuller diz que a Reforma "cometeu um erro porque estava centrada em Deus, em vez de centrada no homem", e George Lindbeck, de Yale, observa o quão rapidamente Teologia Evangélica aceitou este novo evangelho: "Nos anos cinqüenta, foi necessário existir os liberais para que houvesse aceitação a Norman Vincent Peale, mas como o caso de Robert Schuller indica, hoje os conservadores professos engolem suas idéias"

Muitos historiadores olham em retrospectiva para a Reforma e admiram suas influências de longo alcance na transformação da cultura. A ética do trabalho, a educação pública, o aperfeiçoamento cívico e econômico, um reavivamento da música, das artes, e um sentimento de que toda a vida, de alguma forma, está relacionada a Deus e à sua glória: Esses efeitos levaram historiadores a observar com um senso de ironia como uma teologia do pecado e da graça, a soberania de Deus sobre a impotência dos seres humanos, e uma ênfase na salvação pela graça à parte das obras, poderia ser o catalisador para uma energética transformação moral. Os reformadores não se propuseram lançar uma campanha política ou moral, mas eles provaram que, quando colocamos o Evangelho em primeiro lugar e damos voz à Palavra, os efeitos inevitavelmente se seguem.

Como podemos esperar que o mundo leve Deus e Sua glória a sério se a Igreja não leva? O lema da Reforma, Soli Deo Gloria estava esculpido no órgão da igreja de Bach em Leipzig e o compositor assinava suas obras com as iniciais deste lema. Ele está inscrito sobre tabernas e salões de dança nas áreas antiga de Heidelberg e de Amsterdã, um duradouro tributo a um tempo em que o perfume da bondade de Deus parecia encher o ar. Não foi uma idade de ouro, mas um tempo de espantosa restauração de fé e prática centradas em Deus. Eugene Rice, professor da Universidade Columbia, oferece uma conclusão adequada:

“Muito mais, os pontos de vista da Reforma a respeito de Deus e da humanidade servem de medida para o abismo existente entre a imaginação secular do século XX e a embriaguez do século XVI com a majestade de Deus. Podemos exercer apenas uma concessão histórica ao tentarmos entender como é que as inteligências mais brilhantes de toda uma época encontraram uma suprema e total liberdade para abandonar a fraqueza humana em favor da onipotência de Deus”.

Soli Deo Gloria!


Michael Horton
Reformation Essentials - Five Pillars of the Reformation
Dr. Michael Horton é professor de Teologia e Apologética no Seminário de Westminster Califórnia (Escondido, California)

© Modern Reformation
Este artigo foi publicado originalmente na edição de março/abril de 1994 da revista Modern Reformation e é reproduzida com permissão. Para obter mais informações sobre a Modern Reformation, visite www.modernreformation.org ou ligue para (800) 890-7556. Todos os direitos são reservados.

domingo, 4 de abril de 2010

Sola Gratia: Nosso Único Método

A razão pela qual devemos perseverar nas Escrituras é porque ela é o único lugar que nos diz que somos salvos pela espontânea e imerecida aceitação de Deus. Em "A Noviça Rebelde", Maria (Julie Andrews), desnorteada pela súbita atração do capitão por ela, se expressa de forma extravagante "Nada vem do nada, nada poderia. Então, em algum lugar da minha juventude ou infância, devo ter feito algo de bom”. No fundo, a natureza humana está convencida de que existe uma maneira de nos salvarmos por nós mesmos. Podemos realmente necessitam de assistência divina. Talvez Deus tenha que nos mostrar o caminho, ou até mesmo enviar um mensageiro para nos conduzir de volta, mas nós podemos realmente seguir o plano e fazer as coisas acontecerem.


A Lei está em nós por natureza. Nascemos com uma consciência que nos diz que estamos condenados por essa Lei, mas nossa razão imediatamente conclui que a resposta a esta auto-condenação é fazer o melhor da próxima vez. Mas o Evangelho não está na natureza. Não está alojado em algum lugar em nosso coração, na nossa mente, na nossa vontade, ou nas nossas emoções. É um comunicado que chega até nós como loucura, e nossa primeira resposta, assim como a de Sarah, é rir. Conta-se a história de um homem que caiu de um penhasco, mas durante sua queda, conseguiu se agarrar a um galho. Ele interrompeu sua queda e salvou sua vida, mas logo percebeu que não poderia subir de volta para a borda. Finalmente, ele gritou: "Há alguém aí em cima que possa me ajudar?" Para sua surpresa, uma voz estrondosamente respondeu, "eu estou aqui e posso te ajudar, mas primeiro você tem que largar esse galho”. Pensando por alguns momentos em suas opções, o homem olhou para cima e retrucou: "Há mais alguém aí que possa me ajudar?" Procuramos alguém que nos salve, ajudando-nos a nos salvar a nós mesmos. Mas a Lei nos diz que mesmo as nossas melhores obras são como trapos de imundície; o Evangelho nos diz que é algo em Deus e em seu caráter (benignidade, bondade, misericórdia, compaixão) e não em nós (uma boa vontade, uma decisão, um ato, um coração aberto, etc.) que nos salva.

Muitos na igreja medieval acreditavam que Deus salvasse pela graça, mas também acreditavam que o seu próprio livre arbítrio e cooperação com a graça era "a sua parte" na salvação. A frase popular medieval era, "Deus não negará a sua graça àqueles que fazem o aquilo que podem." A versão atual, claro, é: "Deus ajuda quem se ajuda". Mais da metade dos evangélicos entrevistados achavam que isso era uma citação bíblica direta e 84% pensavam que era uma idéia bíblica, e essa porcentagem crescia entre aqueles que freqüentavam Igrejas evangélicas.

Às vésperas da Reforma, um número de líderes da Igreja, inclusive bispos e arcebispos, se queixavam do crescente Pelagianismo (uma heresia que nega o pecado original e a absoluta necessidade da graça). Contudo, esta heresia nunca foi tolerada na sua expressão plena. No entanto, hoje é tolerada e até promovida no protestantismo liberal em geral, e mesmo em muitos círculos evangélicos.

No Pelagianismo, o pecado de Adão não é imputado a nós, nem a justiça de Cristo. Adão é um mau exemplo, não o representante em quem nos tornamos culpados. Da mesma forma, Cristo é um bom exemplo, não o representante em quem nos tornamos justos. Quantas de nossas pregações estão centradas no seguir a Cristo – embora tão importante - e não na Sua pessoa e na Sua obra? Quantas vezes ouvimos falar sobre a Sua obra em nós comparada com Sua obra por nós?

Charles Finney, o revivalista do século XIX, é um santo padroeiro para a maioria dos evangélicos. E, no entanto, ele negou o pecado original, a expiação vicária, a justificação, e a necessidade de regeneração pelo Espírito Santo. Em suma, Finney era um Pelagiano. Essa crença na natureza humana, tão proeminente no Iluminismo, arruinou a doutrina evangélica da graça entre as denominações protestantes mais antigas (agora chamadas de "linha dominante"), e podemos ver onde isso as levou. E, contudo, evangélicos conservadores estão indo pelo mesmo caminho e têm experimentado essa ênfase centrada no homem, centrada nas obras há algum tempo.

As estatísticas se mostram verdadeiras neste ponto, infelizmente, e mais uma vez, os líderes ajudam a sintetizar o erro. Norman Geisler escreve, "Deus salvaria todos os homens, se pudesse. Ele salvará o maior número possível, de fato, sem violar o seu livre arbítrio."



Michael Horton
Reformation Essentials - Five Pillars of the Reformation

sábado, 3 de abril de 2010

Sola Scriptura: Nosso Único Fundamento

Muitos críticos da Reforma tentaram retratar este item [Sola Scriptura] como o convite ao individualismo, uma vez que as pessoas descobrem por si mesmas, na Bíblia, aquilo em que irá ou não acreditar. "A Igreja não tem importância. Fora os credos e a função de ensino da Igreja! Nós temos a Bíblia e isso é o suficiente”. Mas esta não foi a doutrina dos reformadores no Sola Scriptura - Somente a Escritura. Com relação à abordagens individualista para com a Bíblia, Lutero disse "que isso significaria que cada homem iria para o inferno por conta própria."

De um lado, os Reformadores enfrentaram a Igreja Romana, que considerava a autoridade dos seus ensinamentos como definitiva e absoluta. Os Católicos Romanos diziam que a tradição pode ser uma forma de revelação infalível, mesmo na igreja contemporânea; é preciso uma Bíblia infalível e um intérprete infalível daquele livro sagrado. Do outro lado estavam os anabatistas radicais que não apenas acreditavam que não precisavam da função do ensino da Igreja, mas pareciam realmente não necessitar da Bíblia também, uma vez que o Espírito Santo falava com eles – ou, pelo menos, com seus líderes - diretamente. Em vez de um Papa, o Anabatismo produziu vários mensageiros "infalíveis", que ouviam a voz de Deus. Contra ambas as posições, a Reforma insistiu que a Bíblia era a única autoridade final na determinação da doutrina e da vida. Na sua interpretação, toda a igreja deve ser incluída, inclusive os leigos, e devem ser orientada pelos mestres na igreja. Esses mestres, embora não infalíveis, devem possuir considerável autoridade interpretativa. Os credos eram obrigatórios e as comunidades Protestantes recém-reformadas, rapidamente elaboraram confissões de fé que receberam a concordância ou aprovação de toda a Igreja, não apenas dos mestres.

Hoje, somos confrontados com desafios semelhantes mesmo dentro do evangelicalismo. Por um lado, há a tendência de se dizer, como Lutero caracterizou o problema, "Eu vou à igreja, ouço o que o meu padre diz, e nele eu acredito”. Calvino queixou-se ao Cardeal Sadoleto de que os sermões anteriores à Reforma eram, em parte, uma atividade trivial, e em parte uma narração de histórias. Hoje, este mesmo processo de "emburrecimento" significa que somos, nas palavras de George Gallup, "uma nação de analfabetos bíblicos". Talvez tenhamos uma visão elevada da inspiração bíblica: 80% dos adultos americanos acreditam que a Bíblia é a Palavra de Deus literal ou inspirada. Mas 30% dos adolescentes que freqüentam regularmente a igreja, não sabem nem mesmo por que a Páscoa é celebrada. "O declínio da leitura da Bíblia", diz Gallup, "é em parte devido à convicção generalizada de que a Bíblia é inacessível, bem como a uma menor ênfase na formação religiosa nas igrejas". Assim como a infalibilidade de Roma repousava sobre a crença de que a Bíblia em si mesma era difícil, obscura e confusa, da mesma forma, pessoas hoje querem a “sangria” dos profissionais: o que isso significa para mim e como isso me ajudará e como me fará mais feliz? Mas aqueles que lêem a Bíblia mais do que apenas para meditações devocionais, sabem quão clara ela é - pelo menos sobre os principais pontos que aborda - e como ela acaba por tornar a religião menos confusa e obscura. Mais uma vez, hoje, a Bíblia - especialmente em igrejas protestantes - é um livro misterioso que só pode ser compreendida por um pequeno grupo de estudiosos bíblicos que “estão por dentro do assunto".

Mas também temos o outro lado. Há uma tendência popular em muitas igrejas "evangélicas" de enfatizar a comunicação direta com o Espírito Santo, à parte da Bíblia. Nesses círculos, a tradição e o ministério de ensino da Igreja através dos séculos não só são tratados como falíveis (como os reformadores acreditavam), mas como objeto de escárnio. Os sentimentos de Thomas Müntzer, que se queixou de que Lutero era "um dos nossos escribas que quer enviar o Espírito Santo para a faculdade", encontrariam um espaço nobre nas transmissões das principais rádios e televisões evangélicas desta nação. Calvino disse, a respeito dessas pessoas, "Quando os fanáticos se vangloriam extravagantemente do Espírito, a tendência é sempre a de enterrar a Palavra de Deus para que eles possam dar espaço para as suas próprias mentiras."

O Cristianismo não é uma espiritualidade, mas uma religião. Wade Clark Roof e outros sociólogos têm chamado a atenção para o fato de que os evangélicos de hoje são indistinguíveis das tendências gerais da cultura, especialmente quanto à preferência por pensar em seu relacionamento com Deus mais em termos de uma experiência do que em termos de uma relação que é mediada por palavras. Nossa sociedade é baseada no visual ou na imagem, bem parecida com a da Idade Média, e o Cristianismo, contudo, só pode florescer através de palavras, idéias, crenças, proclamação e argumentos. Não pode haver qualquer comunicação com Deus à parte da Palavra viva e escrita. Tudo na fé cristã depende da Palavra falada e escrita, entregue por Deus a nós através dos profetas e apóstolos.

Além disso, sola Scriptura significa que a Palavra de Deus é suficiente. Embora Roma acreditasse que a Palavra era infalível, a teologia oficial foi moldada muito mais pelas idéias de Platão e Aristóteles, do que pelas Escrituras. Hoje, de modo similar, a psicologia ameaça reformular o entendimento do “eu”, como até mesmo nos púlpitos evangélicos o pecado se torna "vício"; a queda, como um evento, é substituída por um status de "vítima"; a salvação é cada vez mais comunicada como saúde mental, paz de espírito e auto-estima, e a minha felicidade pessoal e auto-realização são o centro do palco, em lugar da santidade e a misericórdia de Deus, sua justiça e amor, sua glória e compaixão. Será que a Bíblia define o problema humano e sua solução? Ou quando realmente queremos fatos, nos voltamos para outro lugar, para uma moderna autoridade secular que vá realmente influenciar o meu sermão? A Bíblia, é claro, será citada para reforçar o argumento. Ideologia política, Sociologia, Marketing e outras "autoridades" seculares não devem jamais ter prioridade na respostas de questões abordadas pela Bíblia. Isto é, em parte, o que significa esta afirmação [Sola Scriptura], e hoje os evangélicos parecem tão confusos quanto a este ponto quanto a igreja medieval.


Michael Horton
Reformation Essentials - Five Pillars of the Reformation

Solus Christus: O Nosso Único Mediador

Na Idade Média, o ministro era considerado como tendo uma relação especial com Deus, na medida em que mediava a graça de Deus e o perdão através dos sacramentos. Mas havia outros desafios. Muitas vezes pensamos em nossa própria época como única, com o seu pluralismo e o advento de tantas religiões. Mas não muito tempo antes da Reforma, o pensador renascentista Petrarca clamava por uma Era do Espírito no qual todas as religiões seriam unidas. Muitas mentes da Renascença estavam convencidas de que havia uma revelação salvífica de Deus na natureza e que, portanto, Cristo não era o único caminho. O fascínio pela filosofia pagã incentivou a idéia de que a religião natural tinha muito a oferecer - na verdade, até mesmo a salvação - para aqueles que não conheciam a Cristo.


A Reforma foi, mais do que qualquer outra coisa, um assalto à fé na humanidade e uma defesa da idéia de que só Deus revela a Si mesmo e nos salva. Nós não o encontramos; Ele nos encontra. Essa ênfase foi a causa do clamor "Somente Cristo!" Jesus era a única maneira de se saber como Deus realmente é, a única forma de se entrar em um relacionamento com Ele como Pai em vez de juiz, e a única forma de ser salvo da Sua ira.

Hoje, mais uma vez, esta afirmação está em apuros. Segundo o sociólogo James Hunter, da Universidade da Virgínia, 35% dos seminaristas evangélicos negam que a fé em Cristo seja absolutamente necessária. De acordo com George Barna, esse é o mesmo percentual para os Protestantes evangélicos e conservadores na América: "Deus salvará todas as pessoas boas quando morrerem, independentemente de terem confiado em Cristo"; e eles concordaram.

Oitenta e cinco por cento dos adultos norte-americanos acreditam que comparecerão perante Deus para serem julgados. Eles acreditam no inferno, mas apenas 11% acham que podem ir pra lá. R. C. Sproul observou que na mesma medida em que as pessoas acham que são suficientemente boas para serem aprovadas na inspeção divina, e se esquecem da santidade de Deus, nessa mesma medida não vêem Cristo como necessário. É por isso que mais de um quarto dos evangélicos "nascidos de novo" entrevistados, concordaram com uma declaração que deveria levantar uma bandeira vermelha, mesmo entre aqueles que poderiam concordar com uma versão mais sutil desta mesma declaração: "Se uma pessoa é boa ou faz coisas suficientemente boas para os outros durante a vida, ela irá ganhar um lugar no céu". Além disso, quando perguntados se concordavam com a afirmação seguinte: "Os cristãos, judeus, muçulmanos, budistas e outros, todos oram ao mesmo Deus, embora eles usem nomes diferentes para esse Deus", dois terços dos evangélicos não acharam que essa afirmação fosse questionável. Barna observa "quão pequena é a diferença entre as respostas das pessoas que freqüentam regularmente os cultos e aquelas que estão sem igreja". Um entrevistado, um Fundamentalista independente, disse: "O que é importante, no caso deles, é que eles cumpriram a lei de Deus como eles a conhecem em seus corações."

Mas essa influência cultural para o relativismo não é apenas aparente nas massas; é auto-conscientemente afirmada por muitos dos próprios mestres do evangelicalismo. Clark Pinnock declara, "A Bíblia não ensina que se deve confessar o nome de Jesus Cristo para ser salvo. A questão que Deus leva em conta é direção do coração, não o conteúdo de sua teologia." Para aqueles de nós que têm alguma noção a respeito da direção do seu coração (cf. Jeremias 17:9), isso pode não ser tão reconfortante como Pinnock supõe.

Dizer Solus Christus, não significa que não acreditemos no Pai ou no Espírito, mas isto enfatiza que Cristo é a única auto-revelação encarnada de Deus e redentor da humanidade. O Espírito Santo não chama a atenção para si mesmo, mas nos leva a Cristo, no qual encontramos a nossa paz com Deus.



Michael Horton
Reformation Essentials - Five Pillars of the Reformation