DEFESA DA FE.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ludmila e o Padre

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Não assisto o Faustão, mas, quando anunciaram que a cantora Ludmila estaria presente ao lado do Padre Fábio de Melo, interessei-me sobremaneira. Conclusão: O padre se saiu muito bem, enquanto a cantora e pastora não respondeu com contundência as perguntas do auditório. Pra quem vai o dinheiro dos shows arrecadados? Padre Fábio respondeu que paga sua equipe de artistas profissionais e o restante emprega em assistência social. E Ludmila? Respondeu evasivamente que também paga seus músicos! Ora, a gente sabe que nos shows patrocinados por prefeituras o cachê não baixa de dez mil reais por apresentação. Então, os dois mentiram, porque devem estar ricos!
A desculpa de que seu esposo é criador rural não convenceu o auditório de que Ludmila não fica com o dinheiro. Mas, até aí tudo bem! Os dois. Bem como a maioria dos cantores gospels que estão na TV vivem nababescamente à custa dos fieis. No entanto, percebi o espírito da pós-modernidade na entrevista, porque a cantora e pastora não foi contundente em suas respostas; não defendeu a integridade do evangelho na questão do divórcio e das práticas sexuais.
Neste sentido, devo elogiar o Otoni de Paula Junior, filho de meu amigo Otoni de Paula. Os Pais de Otoni, Antônio de Paula e Dorocy eram íntegros (pais de Obadias, Otoniel, Oziel, Oséias e de Otoni de Paula). Porque quando assisto o Otoni nas entrevistas na Rede TV vejo-o sempre forte e firme na defesa da palavra de Deus. Mas, ao assistir a Ludmila percebi a sutileza do espírito da pós-modernidade que hoje faz parte dos relacionamentos “gospels”. Isto é, abre-se mão de pressupostos doutrinários para não ferir as pessoas. Por isso, quando Ludmila falou do divórcio, do batismo e da sexualidade ficou aquém do que deveria responder; não foi contundente. Aliás, até na vestimenta a jovem senhora quis parecer moderninha, quanto mais nas respostas.
Em outras palavras, os evangélicos foram equiparados aos católicos romanos! Nós que antes éramos antagônicos, opostos doutrinariamente, agora cedemos nos pontos-de-vista para não parecermos atrasados ou mal-educados.
Agora, sim, os evangélicos antes perseguidos pelos católicos podem andar juntos! Basta que cantem as mesmas músicas e os mesmos cânticos. Não se deve esquecer que os padres Marcelo Rossi e Fábio são produtos de laboratório do catolicismo romano criados para fazerem frente ao crescimento dos evangélicos. Como frear o crescimento dos evangélicos? Basta ter nas fileiras católicas a imitação do que os evangélicos gostam. Assim, mais uma pessoa – pastora cai no conto do vigário, porque enquanto Ludmila cantava as seminuas dançarinas do Faustão faziam sua coreografia de palco!
Uma péssima imagem!
Mas, não se deve esquecer que existe este tipo de entrevistas na Globo por pressão da gravadora, afinal, quem fatura na fama dos evangélicos, precisa vender cada vez mais!
O compromisso com Jesus Cristo fica relegado a terceiro plano. Sim, porque em primeiro plano está a denominação da Ludmila – que se apresentou como pastora da Igreja Celular – o que pode confundir a mente das pessoas de que se trata de uma igreja onde todos têm celulares! Ou é uma igreja em que se prega fazendo-se uso do celular. Em segundo plano veio ela mesma, como cantora, e em terceiro plano, renegado e pouco mencionado, a Pessoa de Jesus Cristo, e a questão da salvação pela fé!
Pense bem!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Pra Que Outros Possam Viver 1-2



A Enganosa Liberdade do Pecado


Uma das acusações que o cristianismo recebe é a de ser muito cerceador ou repressor. Diz-se que ser cristão ou um crente em Jesus é viver preso, sem qualquer liberdade ou permissão de fazer qualquer coisa que se deseja. Este pensamento diz que o crente está perdendo os prazeres da vida, ela está passando e ele não a está aproveitando. Em resumo a visão deste mundo sobre o crente é que ele é um tolo.
Quando compreendemos o que a Bíblia diz sobre o crente vemos que há um engano claro sobre este pensamento. Há uma pergunta que é muito pertinente sobre esse tema: quem é de fato livre, o crente em Jesus Cristo ou o incrédulo?
Para responder esta pergunta podemos nos valer de vários textos bíblicos, porém vamos usar apenas um versículo. O apóstolo Paulo lidou com o problema da liberdade cristã na igreja de Corinto e quando ele tratou desta questão. Em 1 Coríntios 6.12 está escrito: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. É provável que a primeira parte deste versículo fosse uma referência a um provérbio que estava se tornando popular entre os coríntios e Paulo o usa para ensinar-lhes sobre a verdadeira liberdade em Cristo.
Paulo afirma que todas as coisas são lícitas para o crente; e é verdade, pois todo pecado foi pago por Cristo na cruz. Paulo, entretanto acrescenta que nem tudo o que um crente faz será benéfico para ele. A palavra traduzida em nossas Bíblias como “lícitas” vem de uma palavra grega que quer dizer vantajoso, legal, proveitoso. Paulo está então dizendo que o crente pode fazer todas as coisas, mas nem tudo o que ele faz trará vantagem para ele. Isto não é falta de liberdade, muito pelo contrário, é a verdadeira expressão dela. O que o texto está dizendo é que o crente tem a liberdade de escolher fazer coisas vantajosas do ponto de vista espiritual, e que serão proveitosas para o seu relacionamento com Deus. Esta é uma liberdade que só o crente tem. Aqueles que não têm Cristo só fazem aquilo que o pecado lhes ordena que seja feito. Jesus disse que eles são escravos do pecado (Jo 8.34). O crente é alguém que é livre para fazer tudo o que quiser. Quando ele faz o que é bom e correto diante de Deus, ainda que isso seja privação de algum prazer momentâneo, ele o faz não porque não foi livre para fazer de outro jeito. O crente o faz justamente porque usou de sua liberdade em Cristo e escolheu fazer o que é certo. Diferentemente, o incrédulo peca porque não tem outra opção, ele é escravo do pecado. Quem é o livre e quem é o escravo então?
Na frase seguinte do versículo Paulo faz outra afirmação interessante. Ele diz que todas as coisas são lícitas ao crente, mas ele não se deixará dominar por nenhuma delas. O crente é alguém que recebeu poder em Cristo para vencer o pecado. A expressão em português “me deixarei dominar” neste texto é tradução do grego que significa literalmente “estar sob a autoridade de”. Paulo afirma que ele não estaria mais sob a autoridade do pecado, ele foi liberto disso. O crente em Jesus Cristo não tem mais o pecado como senhor de sua vida, ele não é mais escravo do pecado, mas sim de Cristo, que é amoroso, compreensivo, misericordioso e justo. Aqui temos mais uma diferença entre o crente e o incrédulo. É a diferença de domínio. O crente tem Jesus como Senhor, ele está sob o domínio do Salvador. O incrédulo está sob o domínio do pecado e o pecado é injusto, destruidor e enganador.
Enquanto está pecando, o incrédulo pensa que está sendo livre, no entanto ele é tão cego que não vê as correntes do pecado prendendo seus pés, mãos e até mesmo sua mente e boca. Ele está seguindo todas as ordenanças destruidoras do pecado. Em uma paráfrase podemos dizer o que Paulo está afirmando da seguinte maneira: “Eu sou livre em Cristo, por isso posso desobedecer às ordens que o pecado me dá”. Esta é uma liberdade que o incrédulo não tem. Ele está dominado pelo pecado, por isso não consegue deixar de pecar. Ele não é livre para vencer as tentações do adultério, ele não é livre para vencer as tentações da idolatria e da cobiça. Quando faz estas coisas ele se gaba dizendo que é livre, porém ele não sabe que está sendo um pobre escravo, submisso, fraco, subjugado e obediente às ordens do pecado. Ele não é livre para controlar suas palavras, seus pensamentos, e suas atitudes. Ele pensa que tem domínio sobre estas coisas, mas são estas coisas que o dominam. Ele está preso. Como disse o jogador de basebol americano Jim Bouton: “Você gasta uma boa parte de sua vida segurando uma bola de basebol e no final descobre que era justamente o contrário o tempo todo”. O incrédulo pensa que está dominando quando na verdade está sendo dominado.
Quem é livre então? Quem de fato pode fazer o que é certo e agradável a Deus? Somente você que é crente em Cristo Jesus pode realmente dizer que é livre. Alegre-se, pois se você crê em Jesus, como a Bíblia diz, você é livre da enganosa liberdade do pecado.
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domingo, 12 de dezembro de 2010

A Falsa Religião do "Livre-Arbítrio" - Scott Price

1) O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê que o homem NÃO é totalmente depravado e que ele possui plena capacidade para ir a Cristo ao usar seu livre-arbítrio, e que Deus aceitará essa pessoa por causa do exercício dessas habilidades. Note: Dizer que o homem NÃO é totalmente depravado significa afirmar que ele possui certa justiça própria digna de merecer algo da parte de Deus.

2) O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê que Deus o escolhe baseado na observação futura do uso do livre-arbítrio — caso o homem escolha crer —, portanto , Deus elege um homem para a salvação sob a condição de que o livre-arbítrio previsto dessa pessoa escolha a Deus. Note: Dizer que a eleição é condicionada de alguma forma pelo homem é promover a salvação pelas obras, que é uma coisa má e autojustificadora.

3) O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê que Cristo morreu universalmente por toda humanidade, sem exceção, e que depende do livre-arbítrio do homem tornar a morte de Cristo eficaz. Note: Dizer que a morte de Cristo NÃO é o diferencial entre céu e inferno é competir com o estabelecimento e a obra da justiça que Cristo obteve mediante sua vida e morte .


4) O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê que o homem pode resistir à vontade de Deus a qualquer hora mediante vontade própria. Note: Dizer que o pecador pode resistir ao chamado eficaz, interno e atrativo do Espírito Santo de Deus — o mesmo poder que levantou Cristo dos mortos — é dizer que o homem possui mais poder que o próprio Deus .

5) O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê ser capaz, mediante seu livre-arbítrio, voltar as costas para Deus e, como resultado disso, perder a salvação. Note: O problema com o adepto da teoria do “livre-arbítrio” é que, antes de tudo, ele não entende como a pessoa é salva, muito menos o tópico da preservação ou perseverança. Ele imagina ser alvo da salvação condicional, orientada por obras do princípio ao fim.


Esses cinco pontos — aos quais o adepto da teoria do “livre-arbítrio” da falsa religião se apega — são mentiras de Satanás, opostas à verdade divina. Deus diz que somos justificados pelo sangue e pela justiça imputada de Jesus Cristo, o Senhor. O falso evangelho parece existir em excesso no mundo hoje. Paulo disse em Gálatas 1:9: “Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”. Se Deus é absolutamente soberano e o autor da salvação eterna, então o livre-arbítrio é um mito. A Palavra de Deus declara dessa forma.

Se o adepto da teoria do “livre-arbítrio” está tão impressionado com seu livre-arbítrio, por que ele não o usa para parar de pecar? Ele não pode fazê-lo, pois não o possui! “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Romanos 9:16). Toda a glória irá para Deus na salvação de uma pessoa ou não haverá salvação. Deus é zeloso de sua glória e não a partilhará com nenhum adepto da teoria do “livre-arbítrio”. JAMAIS!



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Uma sobrevivente da visão celular de Rene Terra Nova conta TUDO!

Por Roselaine Perez

Eu tive que digerir depressa demais o amontoado de quesitos que a Visão Celular possuía, parecia que tinha mudado de planeta e precisava aprender o novo dialeto local, e urgente, para conseguir me adaptar.

Ganhar / consolidar / discipular / enviar, almas / células/ famílias, Peniel, Iaweh Shamá, honra, conquista, ser modelo, unção apostólica, atos proféticos, mãe de multidões, pai de multidões, conquista da nação, mover celular, riquezas, nobreza, encontro, reencontro, encontros de níveis, resgatão, Israel, festas bíblicas, atos proféticos, congressos, redes, evento de colheita, prosperidade, recompensa, multidão, confronto, primeira geração dos 12, segunda geração dos 12, toque do shofar, cobertura espiritual, resultado, resultado, resultado, etc...


Era início do ano de 2002 quando fomos a Manaus, eu e meu marido, para recebermos legitimidade, enquanto segunda geração dos 12 do Apóstolo Renê Terra Nova no estado de São Paulo.As exigências eram muitas e muito caras:
•Compra do boton sacerdotal num valor absurdo.
•Hospedagem obrigatória no Tropical Manaus, luxuoso resort ecológico, às margens do Rio Negro, não um dos mais caros, mas “O” mais caro de Manaus (conheci Pastores que venderam as calças para pagar 2 diárias no tal resort e outros que deixaram a família sem alimentos para entrar na fila dos zumbis apostólicos, num Thriller nada profético).
• Trajes de gala Hollywoodianos.
• Participação obrigatória num jantar caro da preula após a cerimônia, tendo como ilustre batedor de bóia nada menos que o Apóstolo Renê e seus cupinchas.
•Tudo isso para ter a suprema dádiva de receber a imposição de mãos do homem, com direito a empurradinha na oração de legitimação e tudo ( uhuu!).

Nem mesmo em festa de socialite se vê exageros tão grandes em termos de exibição de jóias, carros, roupas de grife e todo tipo de ostentação escandalosa.
Hoje, sem a cachaça da massificação na cabeça, sinto vergonha e fico imaginando como Jesus seria tratado no meio daquela pastorada.

Ele chegaria com sandálias de couro, roupa comum, jeito simples, não lhe chamariam para ser honrado, nem tampouco perguntariam quem é o dono da cobertura dele , pois deduziriam que certamente dali ele não era.

Estive envolvida até a cabeça – porém não até a alma – na Visão Celular durante quase 5 anos, em todas as menores exigências fui a melhor e na inspiração do que disse Paulo "...segundo a justiça que há na lei dos Terra Nova, irrepreensível."

Entreguei submissão cega às sempre inquestionáveis colocações e desafios do líder, sob pena de ser rebelde e fui emburrecendo espiritualmente.

Me pergunto sempre por que entrei nisso tudo e depois que este artigo terminar talvez você me pergunte o mesmo, mas minha resposta tem sempre as mesmas certezas:

Todos nós precisamos amadurecer e, enquanto isso não acontece, muitas propostas vêm de encontro às fraquezas que possuímos e que ainda não foram resolvidas dentro de nós.

A partir da minha experiência pude enxergar as três principais molas propulsoras que fazem funcionar toda essa engrenagem:
1) A lavagem cerebral
A definição mais simples para lavagem cerebral é “conjunto de técnicas que levam ao controle da mente; doutrinação em massa”.

Em todas as etapas da Visão Celular se pode ver nitidamente vários mecanismos de indução, meios de trabalhar fortemente as emoções onde o resultado progressivo desta condição mental é prejudicar o julgamento e aumentar a sugestibilidade.

Os métodos coercivos de convencimento, os treinamentos intensos e cansativos que minam a autonomia do indivíduo, os discursos inflamados, as músicas repetitivas e a oratória cuidadosamente persuasiva são recursos que hoje reconheço como técnicas de lavagem cerebral, onde há mudanças comportamentais gradativas e por vezes irreversíveis.

2)
Grandezas diretamente proporcionais
O Silvio Santos manauara é uma incógnita.Se em por um lado ele é duro e autoritário, noutro ele é engraçado, carismático e charmoso. Num dos Congressos em Manaus, me levantei da cadeira para tirar uma foto dele, que imediatamente parou a ministração e me chamou lá na frente. Atravessei o enorme salão com o rosto queimando, certa de que iria passar a maior vergonha de toda a minha vida, que o “ralo” seria na presença de milhares de pessoas e até televisionado.Quando me aproximei não sabia se o chamava de Pastor, Apóstolo, Doutor, Sua Santidade ou Alteza, mas para minha surpresa ele abriu um sorriso de orelha a orelha e fez pose, dizendo que a foto sairia bem melhor de perto. A reunião veio abaixo, claro, todos riam e aplaudiam aquele ser tão acessível e encantador.

Acontecimentos assim, somados à esperta e poderosa estratégia de marketing que Terra Nova usa para transmitir suas idéias, atraem para ele quatro tipos de pessoas:

•As carentes de uma figura forte (o povo simples que chora ao chamá-lo de pai).
• As que desejam aprender o modelo para utiliza-los em seus próprios ministérios falidos.
•Aquelas que desejam viver uma espécie de comensalismo espiritual, que vivem de abrir e fechar notebooks para ele pregar, ganhando transporte e restos alimentares em troca, as rêmoras da Visão.
•As sadomasoquistas espirituais. É tanta punição, tanto sacrifício, tanta submissão, que fica óbvio que muita gente se adapta a esse modelo porque gosta de sofrer. As interpretações enfermas do tipo “hoje eu levei um peniel do meu discipulador, então me agüentem que lá vou eu ensinar o que aprendi.”, eram a tônica das ministrações.

Pode acreditar que essas quatro classes de pessoas representam a grande maioria.
3) A concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida
O conceito da Visão Celular mexe demais com o ego, é sedutor, encantador, promissor, põe a imaginação lá no topo, puro glamour. A ganância que existe dentro do ser humano é o tapete vermelho por onde a desgraça caminha. Essa tem sido uma das causas pela queda de tantos e tantos pastores, por causa das promessas de sucesso rápido e infalível.

Renê não sabe com quem está lidando, mas é com gente!

Ele talvez ignore (não que ele seja ignorante) que cada ser humano é um universo e que as informações vão reproduzir respostas completamente inesperadas em cada um.

EU ASSISTI, na terra do Terra Nova, o “tristemunho” de uma discipuladora que, para confrontar e educar uma discípula, havia chegado à loucura de bater nela, para que a mesma parasse de falar em morrer. Esse é o argumento dos incapazes, dos que não conseguem levar cada triste, cada suicida ou deprimido às garras da graça de Cristo, mas que querem se fazer os solucionadores das misérias do povo.

Eu tenho até hoje péssimas colheitas dessa péssima semeadura, assumo meus erros e me arrependo profundamente de cada um deles:

• Quase perdi Jesus de vista
•Minha família ficou relegada ao que sobrava de mim.
•Minha filha mais velha, hoje com 23 anos, demorou um bom tempo para me perdoar por eu ter repartido a maternidade com tantas sanguessugas que me usavam para satisfazer sua sede de poder.
•Minha mãe teve dificuldade para se abrir comigo durante muito tempo porque, segundo ela, só conseguia me ver como a Pastora dura e ditadora. Tenho lutado diariamente para que ela me veja somente como filha.
•Fui responsável por manter minha Igreja em regime escravo (mesmo que isso estivesse numa embalagem maravilhosa), por ajudar a alimentar a ganância de muitos, por não guardá-los dessa loucura.
•Colaborei com a neurotização da fé de muitos, por causa da perseguição desenfreada pela perfeição e por uma santidade inalcançável.
•Fiquei neurótica eu mesma, precisando lançar mão de ajuda psicológica devido a crises interiores inenarráveis, ao passo que desenvolvia uma doença psíquica de esgotamento chamada Síndrome de Burnout*, hoje sob controle.
•Vendi a idéia da aliança incondicional do discípulo com o discipulador, afastando sutilmente as pessoas da dependência de Deus.
•Invadi a vida de muitos a título de discipulado, cuidando até de quantas relações sexuais as discípulas tinham por semana, sem que isso causasse ofensa ou espanto.
•Opinei sobre o que o discípulo deveria comprar ou não, tendo “direito” de vetar o que não achasse conveniente. A menor sombra de discordância por parte do discípulo era imediatamente reprimida, sem qualquer respeito. Quando isso acontecia os demais tomavam como exemplo e evitavam contrariar o líder.
•Aceitei que fosse tirada do povo a única diretriz eficaz contra as ciladas do diabo: a Bíblia. Não que ela não fosse utilizada, mas isso era feito de forma direcionada, para fortalecer os conceitos da Visão. Paramos de estudar assuntos que traziam crescimento para nos tornarmos robôs de uma linha de montagem, manipuláveis, dogmatizados.
•Fomentei a disputa de poder entre os irmãos ignorando os sentimentos dos que iam ficando para trás.
•Perdi amigos amados e sofri demais com estas perdas. Alguns criaram um abismo de medo, que é o de quem nunca sabe se vai ganhar um carinho ou um tapa, um elogio ou um peniel, mas sei que esse estigma está indo embora cada vez mais rápido. Outros me abandonaram porque não aceitaram uma Pastora normal, falível e frágil. Eles queriam a outra, a deusa, aquela que alimentava neles a fome por ídolos particulares.

Dentro da Visão, nossa Igreja esteve entre as que mais cresceram e deram certo na região, mas desistimos porque, acima de todo homem e todo método, somos escravos de Cristo.

Talvez o mais difícil tenha sido a transição do meu eu, a briga daquilo que eu era com o que sou hoje até que se estabelecesse Cristo em mim, esperança da glória.

Prossigo, perdoada pelo meu Senhor, tomando minhas doses diárias de Graçamicina, recriando meu jeito de me relacionar e compreender mais as falhas alheias e as minhas próprias.

Prossigo, reaprendendo a orar e adorar em silêncio, livre dos condicionamentos, admitindo meus cansaços, me permitindo não ser infalível, sendo apenas gente...Pastoragente!
*SÍNDROME DE BURNOUT: Distúrbio psíquico, de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso.Se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). Resultado de um esforço extremo, um desgaste onde o paciente se consome física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e intolerante, com predileção para aqueles que mantêm uma relação constante e direta com atividades de ajuda. Ocorre geralmente em pessoas altamente motivadas, que sentem uma discrepância entre aquilo que investem e aquilo que recebem.
Fonte: [ Genizah ]
Via: [
Libertos do Opressor! ]/[ Ministério Batista Beréia ]

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Calvino e a unidade da Igreja

Ao mesmo tempo em que se preocupava com a expansão do movimento, Calvino desejava manter a unidade da igreja reformada. Calvino sempre se demonstrou solícito em dialogar e buscar a unidade dos protestantes. Em várias de suas cartas, Calvino demonstra o desejo de ver as igrejas reformadas unidas, encontrando um caminho para o diálogo entre as várias vertentes e cidades sob a Reforma. Quando foi convidado pelo arcebispo Cranmer para uma reunião para tratar a respeito das divergências da Ceia do Senhor, com o objetivo de fazer um credo que fosse consensual para as igrejas reformadas, em sua resposta, a certa altura, Calvino disse: “Estando os membros da igreja divididos, o corpo sangra. Isso me preocupa tanto que, se pudesse fazer algo, eu não me recusaria a cruzar até dez mares, se necessário fosse, por essa causa” (1980, págs. 132-133). Anteriormente, ele já havia dito que os zwinglianos e os luteranos tinham errado em não entrar num acordo sobre esse tema. Ele comentou: “Erraram em não ter paciência para escutar-se a fim de seguir a verdade sem parcialidade, onde quer que se encontrasse”.

É claro que não se faria justiça ao ensino do reformador se fosse dito que ele era um ecumênico nos termos atuais. Calvino foi um reformador, ele criou uma igreja separada de Roma e não tinha a menor intenção de se reconciliar com o papado. Calvino tinha uma fixação pela verdade e um rigor pela precisão doutrinária. Ele com certeza não estava disposto a sacrificar a verdade pela unidade, porém, segundo Leith, dentro do possível, ele poderia até admitir alguns erros doutrinários menores dos outros para manter a unidade. É claro que desde que não comprometesse o todo e não fossem assuntos referentes à salvação. Calvino entendia que uma igreja que mantivesse razoavelmente a pregação da Palavra e a administração dos sacramentos, mesmo que tivesse alguns problemas e pequenos desvios teológicos, ainda deveria ser considerada como verdadeira. Ele escreveu:

Pois se mantém o ministério da Palavra, tendo-a em alta estima, e tem a administração dos sacramentos, deve-se ter por igreja de Deus. Porque é certo que a Palavra e os sacramentos não podem existir sem produzir fruto. Desta maneira conservaremos a união da igreja universal (Institutas, IV, 1,9).

Logo em seguida ele repete a mesma ideia com mais detalhes:

É certo que onde quer que se escute com reverência a pregação do Evangelho e não se menospreza os sacramentos, ali há uma forma de igreja, de que se não pode duvidar, e não é lícito menosprezar a sua autoridade, ou fazer caso omisso de suas admoestações, nem contradizer seus conselhos, ou burlar suas correções. Muito menos será lícito afastar-se dela e romper sua união (Institutas, IV, 1,10).

Por outro lado, enfatizou que se uma igreja “pretende ser reconhecida como igreja não se pregando nela a Palavra de Deus, nem se administrando seus sacramentos, não tenhamos menor dificuldade de fugir de tal temeridade e soberba para não ser enganados com tais embustes” (Institutas, IV, 1,11). Calvino sabia fazer distinção entre assuntos principais e assuntos secundários. Ele escreveu:

Porque nem todos os artigos da doutrina de Deus são de uma mesma espécie. Há alguns tão necessários que ninguém os pode pôr em dúvida como primeiros princípios da religião cristã. Tais são, por exemplo: que existe um só Deus; que Jesus é Deus e Filho de Deus; que nossa salvação está só na misericórdia de Deus. E assim outras semelhantes. Há outros pontos em que não concordam todas as igrejas e, contudo, não rompem a união da igreja. Assim, por exemplo, se uma igreja sustém que as almas são transportadas ao céu no momento de separar-se de seus corpos, e outra, sem se atrever a determinar o lugar, diz simplesmente que vivem em Deus, quebrariam estas igrejas entre si o amor e o vínculo da união, se esta diversidade de opinião não fosse por polêmica ou por obstinação? (Institutas, IV, 1,12).

Nisso, é possível perceber que Calvino estava disposto a tolerar divergência de opiniões, desde que não comprometessem o ensino central a respeito da salvação e dos meios de graça. Ele obviamente achava que as polêmicas causavam mais prejuízos, por isso admoestou os fiéis a se manter unidos na igreja:

É verdade que é muito melhor estar de acordo em tudo e por tudo; mas dado que não há ninguém que não ignore alguma coisa [nuvenzinha de ignorância], ou não poderemos aceitar nenhuma igreja, ou perdoaremos a ignorância aos que faltam em coisas que podem ignorar sem perigo algum para a salvação e sem violar nenhum dos pontos principais da religião cristã. Não é meu intento sustentar aqui alguns erros, por pequenos que sejam, nem quero mantê-los dissimulados e fazendo como se não os visse. O que defendo é que não devemos abandonar por qualquer dissensão uma igreja que guarda em sua pureza e perfeição a doutrina principal de nossa salvação e administra os sacramentos como o Senhor os instituiu. Do mesmo modo, se procuramos corrigir o que ali nos desagrada, cumprimos com nosso dever (Institutas, IV, 1,12).

Calvino estava disposto até a tolerar certas “extravagâncias” litúrgicas para o bem da unidade da igreja, como parte das cerimônias da igreja anglicana que ele considerava “toleráveis” (1980). Seu resumo de tudo isso é: “Quero dizer em poucas palavras que, ou renunciamos à comunhão da igreja, ou se permanecemos nela, não perturbemos a disciplina que possui” (Institutas, IV, 1,12).

Calvino adverte severamente contra aqueles que procuravam encontrar divisões nas igrejas a partir de um zelo irrefletido:

Este grande rigor e severidade, na maioria das vezes, nasce da soberba, arrogância e falsa santidade; não de verdadeiro nem de autêntico zelo dela [...]. Os homens malignos que por desejo de polêmica, mais que por ódio que podem ter contra os vícios, se esforçam em atrair a si os simples, ou em dividi-los, estão inchados de altivez, transbordando de obstinação, astutos para caluniar, ardendo em sedições, e pretendendo usar de severidade para que todo mundo creia que eles possuem a verdade; abusam para conseguir seus cismas e divisões na igreja, enquanto que a Escritura nos manda ter moderação e prudência na correção das faltas dos irmãos com amor sincero e união de paz (Institutas, IV, 1,16).

Sua conclusão novamente é curta e clara: “E finalmente, tenham em conta que, quando se trata de discernir se uma igreja é de Deus ou não, o juízo de Deus deve ser preferido ao dos homens” (Institutas, IV, 1,16).

Calvino fazia uma distinção entre a igreja visível e a igreja invisível. A igreja invisível era composta de todos os crentes verdadeiros em todas as eras, inclusive os que já estavam no céu. A igreja visível, entretanto, não era perfeita, pois havia muitos hipócritas nela que, segundo Calvino, “de Cristo não tinham outra coisa senão o nome e a aparência” (IV, 1,7). Assim, Calvino concluía que: “Da mesma maneira que estamos obrigados a crer na igreja invisível para nós e conhecida somente de Deus, também se nos manda que honremos esta igreja visível e que nos mantenhamos em sua comunhão” (IV, 1,7).

Isso o ajudava a entender as imperfeições na igreja visível e a tolerá-las. Uma questão importante é que a “igreja” para Calvino e para os reformadores não era uma instituição definida em termos denominacionais, como se entende hoje, antes eles a definiram “em termos de ação de Deus no mundo e sacramento, e não em termos de estruturas ou de doutrina correta”. Assim, segundo Leith, este conceito de igreja permitiu que as comunidades reformadas reconhecessem os ministros, sacramentos e membros de outras igrejas. Nenhuma das principais comunidades cristãs tem sido mais ecumênica nesse sentido, ou mais aberta no reconhecimento de outros membros, sacramentos e ministérios cristãos.

Portanto, vemos em Calvino uma mistura de precisão doutrinária e tolerância, um zelo por pureza e expansão da igreja, que não foi comum encontrar em outros líderes religiosos da história.

Autor: Leandro Antonio de Lima
In: O futuro do calvinismo, Editora Cultura Cristã
Via: [ Cinco Solas ]

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O que devemos guardar da Lei?

Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. (Mateus 5:12)

Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas. (Mateus 7:12)

Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou:

Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?

Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. (Mateus 22:34-40)
Muitas vezes nós achamos que sabemos muito sobre a Bíblia...até o momento em que somos confrontados com algumas perguntas. Qual o maior problema enfrentado pelos apóstolos dentro das igrejas cristãs do século I? Seria a imoralidade sexual? O problema da idolatria? Talvez o desânimo dos fiéis com um Estado hostil e perseguidor da igreja? Nada disso. O grande problema é um assunto pouco estudado nas igrejas do século XXI: qual o lugar da Lei após a vinda do Novo Testamento?

Puxa, mas qual a relevância de se discutir isso em pleno século XXI? Maior do que parece. Há igrejas que dizem que a Lei não tem mais relevância alguma para nós. Porém, muitas dessas mesmas igrejas parecem estar voltando ao Antigo Testamento, celebrando festas judaicas e resgatando práticas cúlticas anteriores a Cristo, com o uso do shofar. Não há concordância também sobre como deve ser o dia-a-dia de uma igreja formada por cristãos de ascendência judaica...ou seriam judeus conversos ao cristianismo? A dúvida já mostra a tensão. E há cristãos defendendo a aplicação até mesmo das penas civis da Lei de Moisés. Isso sem falar na réplica do templo de Salomão que está sendo construída pela Igreja Universal do Reino de Deus.
Cristãos? Ou judeus?

E aí, como sair desse nó teológico?

A Lei não acabou
A primeira coisa que precisa ser dita é que o Antigo Testamento (resumidos por Jesus como a Lei e os Profetas) não foi revogado por Cristo. Existe uma escola teológica chamada de dispensacionalismo, que ensina exatamente isso. A História seria dividida em diferentes estágios, chamados de dispensações. A dispensação mais nova suplanta a mais velha, de forma tal que as leis e preceitos de uma não se aplicam a outra, a não ser que sejam repetidas.

Por causa disso, os pregadores dispensacionalistas tendem a se concentrar apenas no Novo Testamento, já que o Antigo não tem mais autoridade. A Bíblia deixa de ser vista como uma unidade e é transformada um livro fragmentado, uma colcha de retalhos. Alguns estão na moda, mas outros já são démodé.

No entanto, o próprio Jesus derruba esta forma de enxergar a Bíblia quando Ele diz que não veio revogar a Lei ou os Profetas. A Lei ainda continua válida, embora não da mesma forma que no Antigo Testamento. A graça e a verdade vieram com Cristo, mas a Lei ainda tem um papel a desempenhar: levar os pecadores a Jesus.
De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. (Gálatas 3:24)
Só vai atrás de justificação quem se enxerga como injusto e pecador. Na verdade, o próprio conceito de justificação pressupõe uma Lei que tenha sido quebrada, razão pela qual existem os injustos. Ao revelar aos homens os seus pecados, a Lei é usada por Deus para conduzir os eleitos a Cristo.
Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. (Romanos 3:19-20)
Além disso, o próprio Jesus ensinou que a Lei será o parâmetro usado por Deus no Dia do Juízo:
Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança.(João 5:44)
O amor é o cumprimento da Lei
Isso significa que toda a Lei deve ser observada, exatamente como nos dias do Antigo Testamento? Temos que comemorar as festas, seguir o cerimonial, as restrições alimentares e aplicar as leis civis? Não. Embora Lei e Evangelho andem juntos e a Bíblia seja uma unidade, há uma mudança real e profunda entre o Antigo e o Novo Testamento.

Com a chegada de Jesus, tanto os aspectos civis (Lei civil) como os cúlticos (Lei cerimonial) da Lei de Moisés são abolidos. O testemunho bíblico é o de que essas dimensões da Lei eram apenas sombras de uma realidade superior, que se torna evidente com a chegada de Cristo.
Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. (Hebreus 10:1)
Com a chegada dos bens, as suas sombras (Lei) se tornam obsoletas e inúteis. Logo, o que fica da Lei? Fica apenas aquela parte que é o cerne do Antigo Testamento, a qual é escrita no coração dos fiéis:
Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas. Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.

E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto, após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniqüidades, para sempre. (Hebreus 10:10-17)
Resumindo, ficam apenas os dois grandes mandamentos ordenados por Jesus Cristo: ame a Deus e ao seu próximo. Se amarmos a Deus com todo o nosso coração e fizermos aos outros seres humanos o mesmo bem que desejamos a nós mesmos...então estamos cumprindo todo o Antigo Testamento. E é apenas com isso que devemos nos preocupar.
"O Bom Samaritano", de George Frederic Watts

Claro que nem sempre é fácil entender algo que é tão simples. Mas, em caso de dúvida, a essência da Lei e os Profetas é o que os teólogos chamam de lei moral, aquelas normas e princípios que dizem respeito ao caráter, à mente e ao coração. Cristo resumiu essas normas nos dois grandes mandamentos, mas um detalhamento maior deles é dado nos Dez Mandamentos. Os quatro primeiros falam do nosso amor por Deus e os seis últimos sobre como devemos amar ao nosso próximo.

Ao meu ver, todo o resto do Antigo Testamento deveria ser enxergado dentro desta perspectiva dada pelo próprio Jesus. E isso até mesmo na hora de confrontar os pecadores. Não devemos mostrar apenas que mentir ou adulterar é errado, mas também que são pecados que atentam contra a ordem divina de amar. A disciplina e até mesmo a exclusão, por mais duras que sejam, sempre devem ser feitas por amor a Deus (obediência aos Seus mandamentos) e ao próximo (bom exemplo para que os demais não pequem, esperança de que o rigor da punição desvie o pecador do erro).

E o que fazer com a Lei civil e cerimonial? Devemos interpretar essas partes da Lei como símbolos de uma realidade maior, dada pelo Evangelho. Uma realidade onde o culto exterior não conta, porque Deus olha para a adoração que é em espírito e em verdade. Onde a justiça exterior não pode salvar a ninguém, porque Deus busca a verdadeira justiça e obediência, que Cristo escreve pelo Espírito Santo, conforme a predeterminação do Pai, no coração dos filhos de Deus.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro